quinta-feira, 3 de maio de 2007

Felicidade

Felicidade: o que é, quem pegou e onde está que eu também quero?

Como ser feliz? Ninguém me perguntou, mas eu também queria saber. Não tentei descobrir em livros, não realizei pesquisas mirabolantes e nem gastei anos da minha vida com meditações e divagações sobre este assunto. Eu queria descobrir como ser feliz naturalmente, e isso me causava imensa tristeza. Ou seja, algo estava saindo errado...

Apostei na Loteria Federal, participei de promoções (juntei tantas caixas de creme dental quanto de caldo de frango!) e nada. Entre uma tentativa e outra de ficar milionário, fiquei com vontade de fazer um pudim. É, de chocolate. Era fácil. Ficou pronto, ficou bom, todos comeram e elogiaram. Matei minha fome e todos ficamos felizes.

Felizes?! Era isso? A felicidade era um pudim de chocolate? Não, não exatamente. Bom, também...

Não é fácil explicar, embora seja algo simples. Além do mais, felicidade não se explica, se sente, e ela está nas pequenas coisas... nas pequenas grandes coisas da vida. Coisas que são tão importantes e, no entanto, tão simples. É fácil descobrir: é mais ou menos aquilo que você sente quando conclui um quebra-cabeça de duas mil peças, quando o feriado é na terça, quando alguém te escreve uma carta, quando te dão um abraço apertado, quando acaba de sair do banho, quando encontra algo que estava perdido, quando reencontra um velho amigo, quando ganha aquilo que tanto queria, quando chega na escola e descobre que a prova foi adiada, quando volta da escola e descobre que o almoço é o seu prato preferido, quando ouve aquela música antiga que você adora, quando dança coladinho com "aquela pessoa", quando termina de ler um livro grosso, quando tira dos pés aqueles sapatos apertados, quando as pessoas te dizem obrigado, quando faz uma viagem e volta cheio de novidades, quando anda na chuva despreocupado, quando consegue o emprego, quando está deitado no colo e recebe um cafuné, quando ganha uma amostra grátis no supermercado, quando passa num exame, quando vê um filhotinho frágil com a mãe, quando a televisão volta do conserto, quando finalmente consegue abrir aquele maldito pote de azeitonas, quando alguém coça as suas costas, quando fazem massagem nos seus ombros, quando pode raspar com o dedo o resto da massa na batedeira, quando você descobre no seu bolso uma nota que não sabia que tinha, quando nasce seu filho, quando segura o bebê, quando lembra do seu velho pai, quando passa a noite inteirinha acordado e vê um amanhecer rosado, quando uma pessoa especial está te fazendo um carinho de leve...

...e chora quando diz sorrindo o quanto te ama...
...e você também ama essa pessoa...
...e, então, você descobre que é feliz.

Simples.

3 comentários:

Giselle disse...

Agora você se superou!!!! Que coisa mais linda!!! Felicidade é tudo isso e muito mais, aliás, muiiiito mais... porque felicidade começa como você diz e vai além do que as palavras podem medir.. mas que você conseguiu tão bem que eu fiquei toda arrepiada! Parabéns!!!
Amei!!!

Anônimo disse...

É simplesmente o viver das ondas que vem e vão, tudo que você descreveu é de movimento! Não é fácil, não é comum, não é de segurar e nem sempre é de sua decisão, mas é mesmo simples!!!
Adorei!

Vinicius disse...

Fala, Marcos. Quando você mencionou felicidade, logo me recordei de um trecho da música A FELICIDADE do Vinícius e do Tom:

"A felicidade do pobre parece
A grande ilusão do carnaval
A gente trabalha o ano inteiro
Por um momento de sonho
Pra fazer a fantasia
De rei ou de pirata ou jardineira
Pra tudo se acabar na quarta-feira"

Para mim tem muito a ver com o seu texto e o poema do Pessoa sobre felecidade: os pequenos atos que você descreve coincide com a forma simples do pobre estar feliz -- por meio da ilusão causada por uma festa popular... E a lembrança do carnaval é a "bela noite que fica".