sábado, 19 de abril de 2008

Petição



Nunca pretendi divulgar petições no meu blog, mas a minha revolta foi tão grande ao tomar conhecimento do fato a seguir que não deu pra não fazer parte do coro que se opõe a essa atrocidade.

O artista Guillermo "Habacuc" Vargas foi escolhido para representar a Costa Rica na Bienal Centroamericana Honduras 2008.

No entanto, há petições e inúmeras mensagens de repúdio a esta escolha e ao artista circulando na internet. O motivo: uma instalação de arte montada por Habacuc usava um cão de rua, o qual ele amarrou a uma corda curtíssima na parede de uma galeria de arte e ali o deixou, até que o animal morresse de fome, sede e falta de cuidados veterinários.
O fato ocorreu em agosto de 2007 durante uma exposição em Manágua, Nicarágua, de acordo com o diário local "La Prensa". Vargas declarou ao jornal "Nácion" da Costa Rica que se reserva o direito de não dizer se acha justificável a morte do animal: "O que me importa é a hipocrisia das pessoas. Um animal assim vira o centro das atenções quando está em um local onde as pessoas querem ver arte, mas ninguém ligaria se ele estivesse passando fome nas ruas", afirmou.

Ele ainda disse que sua intenção era homenagear Natividad Canda, um nicaragüense morto por cães rottweiller.


Esse ato foi reconhecido pela Bienal Centroamericana de Arte como uma forma de arte e, por isso, Habacuc foi convidado a repetir a sua cruel ação na Bienal de 2008.

Na internet, internautas de todo o mundo estão organizando uma petição para impedir tal ato classificado como "cruel". O link para assinar o protesto é http://www.petitiononline.com/13031953/petition.html

Então é isso, pessoal. Já tivemos notícias de vários outros filhos da puta, como Pete Doherty, que forçou um gato a fumar crack, e os inúmeros "tratadores" dos circos que conseguem fazer elefantes se equilibrarem sobre banquinhos e chimpanzés andarem de bicicleta apenas "pedindo com jeitinho". Pois chegamos a um que vai direto ao ponto: amarrar um cachorro e assistir o bichinho morrer de inanição, enquanto outros monstros aplaudem e pedem bis. O fato de ser um cão de rua não justifica jamais tal ação, pois ao menos na rua é possível buscar livremente por comida nos lixos, ou mesmo recebê-la de transeuntes mais carinhosos. "Ninguém ligaria se ele estivesse passando fome nas ruas", senhor Habacuc? Pois acredite, você tirou daquele cão a chance de ser recolhido por quem tenha um coração de ouro e ser levado pra um lar ou uma pet shop. Pessoas assim existem, vejam aqui um lindo exemplo no blog da Renata Márcia: http://renatamarcia.blogspot.com/

Pensem nisso.

sábado, 12 de abril de 2008

Hibernações



Sem postar uma letra sequer desde o carnaval, desperto agora da boa hibernação, reformulando o visual deste blog pra marcar a nova fase. Foi um bom sono, um bom descanso mental e digital. Estava simplesmente completamente sem paciência pra escrever ou ler qualquer coisa, mas nada dura pra sempre. Nem deve.

Pra começar, preciso corrigir o que foi dito na última postagem: meu carnaval foi bacana pra caraio!!! Logo depois de escrever Alalaô, fui chamado pra ir no Bar do Adão em Botafogo, conversar com uns amigos, tomar uns chopes e comer uns pastéis que são coisa de outro mundo. Depois, emendei numa noitada regada a bastante cerveja e bate-papo. Conheci gente nova e nem me lembro de todos os detalhes daquela noite, mas foi bacana. A noite seguinte foi tão agitada quanto, enchendo a cara de caipirinhas e outros drinks pelas ruas da Lapa, depois fechando no show de Casuarina e convidados na Fundição Progresso. Fodam-se o Casuarina e seus convidados, mas eles tocam aqueles sambinhas de Paulinho da Viola, Cartola e outros que já foram sucesso nas vozes de seus próprios criadores. Como diz um amigo meu, eles gozam com o pau dos outros. Que seja. A galera no local era bacana, muita gente curtindo, eu completando o tanque com uísque e Red Bull e perdendo a noção. Achei o preço um roubo pra quantidade de bebida que vinha e discuti, xinguei e quase caí na porrada com o barman (pois é, justo eu, querendo partir pras vias de fato). Coisas do álcool. Mas porra, o cara foi estúpido quando pedi pra ele corrigir aquela injustiça, merecia a mãozada que eu quase acertei. Não aconteceu a porradaria porque ele recuou, e a distância do balcão para o local de onde ele ficou gritando era imensa. Eles chamaram o segurança e eu fiquei parado só esperando (mas também parei de gritar, que não sou besta). O segurança chegou, olhou, rodou, deu uma pirueta e se foi sem fazer nem dizer nada. People are strange, fazer o que?

Além disso, tive mais das clássicas conversas com os taxistas que me levam e trazem pelas madrugadas desse Rio de Janeiro. Uns voam e derrapam, outros dirigem quase dormindo. No geral, recebo conselhos sobre como as mulheres devem ser tratadas, o que inclui indiferença, grosseria, traições sempre que possível e, por fim, jamais declarar-se apaixonado ("Jamais, senão elas montam!"). Depois, eles sempre complementam contando suas próprias experiências de vida, e é cada uma que, sinceramente, entendo porque esses caras chegaram às tristes conclusões que mencionei. Um brinde, então, aos taxistas de coração partido das madrugadas do Rio de Janeiro!!! Sem eles, nós bêbados não conseguiríamos sair da Lapa e chegar em qualquer lugar que fosse.

A verdade é que a Lapa já se tornou meu inferno e meu paraíso particular. Minha noite é lá. Tem muita gente doida nesse mundo, sabe? Não posso reclamar das coisas que me têm vindo nessa vida. O caminho é acidentado, mas acaba sendo de se apreciar a cada passo. E, até certo ponto, as coisas têm mudado pra melhor. É só a gente ajustar o foco, manter os princípios que nos são úteis e jogar fora os que não se sustentam neste mundo bizarro. Tudo começa a ficar mais legal do que parecia ser possível.

Se aceitar um conselho, hiberne de vez em quando. Pare um momento só de buscar mais sucesso, buscar mais dinheiro, buscar amor, buscar sei-lá-mais-o-que que você queira mas no momento não tem. Faça apenas sua rotina, seu dia-a-dia, curta seu cotidiano um pouco como se não tivesse que correr atrás de nada mais. Apenas viva um pouco. Apenas exista um pouco. Assim você se recarrega, reflete um pouco melhor e promove os ajustes que, aí sim, poderão te ajudar a conquistar o que você não tem conseguido. Apenas mantenha a calma. Caaaaaalma...

E leia Bukowski. No momento, estou lendo Factótum, que chegou a render um filme. Depois, vá ao Bukowski, uma casa laranja bem legal lá em Botafogo. Quer saber o que pode te acontecer por lá? Leia Bukowski.