domingo, 15 de maio de 2011

Incapazes


Simplesmente cheguei ao meu limite e não sei o que fazer, não sei como agir. Talvez assumir minha tolerância esgotada como em "Um Dia de Fúria", afinal, quem não sente vontade de fazer o mesmo que o Michael Douglas??? Olha só, não é tão difícil viver em sociedade, não é impossível fazer do jeito que tem que ser feito. Vamos direto às coisas a que me refiro:

- Todo dia no metrô, to-do-di-a, pessoas ficam na beirada da plataforma aguardando o trem chegar, e daí lá vem a voz já irritada (e em volume máximo) do carinha do metrô, pela milhonésima vez, avisando "NÃO ULTRAPASSE A FAIXA AMARELA, SOMENTE A ULTRAPASSE QUANDO O TREM ESTIVER PARADO E  COM AS PORTAS ABERTAS". Mas as pessoas continuam ultrapassando. E ouvem o aviso. E não se movem. Então tem que vir um dos guardas passando rente ao precipício, de porrete na mão, exigindo que as pessoas se afastem para trás da tal faixa. Elas se afastam, mas reclamam.

- Ainda no metrô, quem aguardava na plataforma insiste em entrar no vagão antes que as pessoas de dentro consigam descer em suas estações. Daí se empurram. Daí se xingam. Daí a galera se emputece, porque quem tá dentro não consegue sair, quem tá fora não consegue entrar, a porta não pode ser fechada porque tem gente bloqueando, o alarme de fechamento de portas fica berrando um tempão, o trem não consegue sair da estação... bem, vocês entenderam.

- Sinais de trânsito abrem. Sinais de trânsito fecham. Existe motivo pra isso, e cada uma dessas etapas dura o tempo que dura e pronto. Mas então aparecem elas, as pessoas, que não conseguem esperar o sinal vermelho para atravessar e correm entre os carros, mas, Ó, que surpresa: os carros são mais rápidos que elas, e estes então têm que frear bruscamente, e buzinam, e os outros se assustam, e quase batem, e assim todos quase se ferram feio, isso quando não se ferram feio de fato.

- Você não anda muitos metros pelo Centro do Rio de Janeiro sem que aviste uma lixeira laranja pregada em algum canto. Ela está lá para receber seus pequenos lixos cotidianos, simples e prática. Ainda assim, não se dá um passo no Rio sem que se avistem panfletos, maços de cigarro, copos de guaraná natural, garrafas d'água, embalagens de sorvetes ou de chocolates ou de balas ou da merda que for espalhados pelo chão.

- Não existe prestadora de serviços que respeite o consumidor, ao menos aqui no Rio não existe. Você tenta ser atendido pela CEG, pela CEDAE, pela LIGHT, pela OI, pela VIVO, pelas lojas de móveis, mas a ligação cai ou não completa, e quando você consegue agendar o serviço os caras não aparecem ou então aparecem num horário diferente do agendado, e quando finalmente fazem o serviço, o serviço fica mal feito, e quando você pede pra cancelar eles não cancelam e ainda te cobram valores errados... enfim, não tem fim.

Existem tantas outras coisas que eu poderia citar aqui, mas confesso que o cansaço é grande. Eu vou é pagar minhas contas, pegar minhas economias, me mudar pro campo, fazer de conta que sou mudo e trabalhar de ajudante numa mercearia de cidadezinha pequena. Quero ir embora e sentir o cheiro dos eucaliptos e do capim-limão, dormir cedo depois de prender o mosquiteiro na janela e descobrir que um dia tem mesmo 24 horas. Preciso esfriar a cabeça antes que eu arranje uma bazuca, e até onde se sabe, bastaria subir qualquer favela carioca e eu arranjaria uma, fácil fácil.

5 comentários:

Elis Barbosa disse...

Vale a pena, acredite, morar no interior pode fazer milagres!!!

Marcos AM Ramos disse...

Um dia penso nisso com mais seriedade, por enquanto ainda prefiro reservar ao interior os fins de semana e feriados. Já ajuda bastante.

Fabio Pires disse...

posso resumir? nós somos esta merda que vcoe vê todo santo dia...

Marcos AM Ramos disse...

Amém, mestre Fabio. Infelizmente, amém.

INCONSCIENTE CONSCIÊNTE disse...

Sou do interior, nasci e cresci lá. Mas agora estou em uma cidade grande tentando passar no bendito vestibular.
Estou vivenciando tudo que você escreveu em seu texto. Ao vim pra Goiânia fiquei impressionado ao ver pessoas em ônibus igual sardinha, ao ver o medo das pessoas com as outras e dentre outras coisas que só encontramos nas grandes metrópoles.

Quando morava no interior muitas pessoas de Goiânia, Brasília , iam para lá. Eu nunca entendi direito a o motivo de tanta visitas, porque em capitais tem de tudo.Agora é que estou entendendo o motivo da "fuga em massa para o interior"