terça-feira, 1 de maio de 2012

Reflita #3



Andando pelas ruas de um Rio de Janeiro outonal, me visita os pulmões um ar frio bom de se respirar. Encaro no alto um céu chumbamente cinza (ou cinzamente chumbo?, parecia tão sólido, agora molhou tudo, já são uns dias assim... enfim) e me pergunto sem pensar a respeito quantos dos prazeres que vivo não são nada além de alívios. Uns meros prazeres negativos, alívios transitórios. Transitórios e vazios, eu acho.

Quanto da paz de quem se afoga está em simplesmente voltar a respirar? Quanto está em perceber que sobreviveu? Eu ando respirando e sobrevivendo e disso eu sei. Me falta saber o que se tem que fazer pra se fazer da vida algo que valha a vida que se tem.

4 comentários:

Tatiana Sandim disse...

e quando descobrir, por favor, conte-nos. afinal, sobreviver não é viver, sei bem. tanto do primeiro quanto da diferença.

Flavia disse...

Marcos, ao acabar de ler teu texto imediatamente me lembrei de uma música do Jorge Drexler, chamada Horas,e mais especialmente de uma parte da letra que diz : "nos bastaba con dejar morir la pena".
E acho que é isso.
Mas eu acho que você já conhecia essa resposta.

Flavia disse...

Ai, falei "acho" duas vezes.

Elis Barbosa disse...

Sabe de uma coisa curiosa? Quanto mais a gente respira, mais a gente quer respirar... chega tem horas, bate uma culpinha por se estar fora da maioria dos sistemas, só curtindo aprender humildemente a respirar mais e mais!
Beijos