quarta-feira, 29 de julho de 2009

Beethoven - Moonlight Sonata (first movement) solo piano



Eu, minha quarta garrafa de Bohemia Escura e a primeira hora da madrugada não podemos negar: alguns momentos de nossas vidas são ainda mais tristes do que os outros. Na verdade, eu estava numa boa, até que me deparei com este piano enquanto pensava "o que procurar na internete quando não sei mais pelo que procurar?". Dizem que quem procura, acha.

Maldita internete. Maldito Beethoven... Quem lhe deu o direito de compor isso?

Façam como eu e olhem pras barrinhas coloridas durante a música, ajuda a não mergulhar tão fundo.

Rá rá rá, ingênuos... Não adianta nada não.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

.apenas



Caindo totalmente na minha prória contradição, confesso que preciso escrever aqui meus achismos sobre o tão falado filme de estréia de Matheus Souza, cujo título se escreve ".apenas o fim.", com um ponto no começo e outro no... fim.

Não foi a simples presença de Erika Mader que me levou à sessão das 18:45 do Odeon naquela terça-feira, dia 21 de julho. Eu realmente estava curioso sobre o filme, primeiro porque o estilo me agrada (ao mesmo tempo que me atemoriza), segundo porque eu já estava com três pedras na mão desde que comecei a ler as primeiras críticas, bem como as primeiras entrevistas do já citado Matheus Souza.

A verdade é que, apesar dos pesares (expressão que me desculpa de qualquer contradição óbvia e ainda me produz as possibilidades de arrependimento sobre o que vou escrever aqui), eu gostei do filme sim. É bom saber que parece haver espaço para filmes nacionais que mostram alguma coisa dentro da qual não precisa acontecer "algo chocante". O que quero dizer é que o mote inicial e central é mesmo o principal e segue intocado até o final, não há mistério a ser revelado, não há reviravolta, o que é dito no começo (aparentemente) se mantém, e ponto. Ponto no começo e ponto no final.

(Pare de ler agora se não quiser saber o que acontece no filme.)

O filme começa com a namorada chegando pro namorado (estudante de cinema na PUC, dentro da PUC) e dizendo taxativamente que em uma hora ela irá embora, de vez, pra sempre, rumo a um lugar jamais revelado, e concede ao menos a escolha de
a) passar a próxima hora fazendo muito sexo; ou
b) passar a próxima hora conversando e andando pela PUC.

O cara escolhe a segunda opção, o que me parece óbvio se o rapaz realmente não quer que a namorada saia da vida dele de vez e desapareça. E daí segue-se algo que me lembrou muito "Antes do Amanhecer" (roteirizado por Richard Linklater e Kim Kriza), pois há muita conversa, muita cumplicidade, a certeza de que ao fim vai haver uma separação que já foi preconizada e que a tristeza deste fato deve ser ofuscada sob o propositalmente (e quem não faria assim?) forçadíssimo e nervosíssimo senso de humor realizado através das piadinhas sóbrias, espirituosas e inteligentes, além das leves e constantes ofensas mútuas.

A verdade é que o filme me gerou uma imensa tristeza desde o primeiro minuto. Claro que ri com uma ou outra das piadas, isso se deu algumas vezes sim, e concordo plenamente que o Bulbassauro é o melhor Pokemon (isso é indiscutível), mas convenhamos, só um filme com muita projeção por parte de quem o escreveu colocaria um nerd com calvície e sem culhões como o ser amado por uma gata do calibre da Erika Mader. Dá licença, mas embora muito do que aconteça no filme seja identificável e o fim seja o que aconteceria mesmo (ponto para o roteiro!), não dá pra acreditar que aquele casal se fez. No entanto, dá pra acreditar na sua dissolução. O filme se chama ".apenas o fim.", se justifica por isso e merece, portanto, meu reconhecimento como honesto. É o filme de um estudante de cinema da PUC contando um momento "fatal" na vida de um estudante de cinema da PUC que não é ele mas é.

O foda é eu ter que admitir que sentir que muitos momentos do filme são previsíveis me coloca pelo menos como alguém irmanado com o autor da história, especialmente pelo fato de que eu disse à minha companhia "não levanta agora não, esse filme COM CERTEZA tem cena depois dos créditos". E tinha. E achei válida! Metalinguagem da hermenêutica que seja, me agradou sim ver a cena após os créditos...

Minha confissão é a de que senti um peso, uma tristeza danada durante o filme inteiro, do começo ao fim, então acho que gostei, por mais que tenha achado as falas muito forçadas, afinal são as sacadas da mente de uma única pessoa distribuídas nas vozes de dois personagens distintos (o mesmo erro que acomete quem escreve as novelas das sete). Minha acompanhante achou o filme uma comédia muito divertida. Acho que isso vai ser uma constante, esse fato de que mulheres e homens terão necessariamente opiniões opostas sobre o filme.

Parabéns ao Matheus Souza, que foi capaz de me fazer gastar uma hora e quarenta e cinco minutos escrevendo esse post sobre seu filme. Parabéns ao Gregorio Duvivier que não me desapontou na série "O Sistema", fazendo ponta em "A Mulher Invisível" e agora em ".apenas o fim.". E parabéns, mil parabéns aos pais da Erika Mader, que com certeza estavam muito inspirados na noite de sua concepção. Ela esteve perfeita no papel de "mulher-que-está-numa-boa-mas-do-nada-resolve-que-precisa-ir-embora-porque-não-está-satisfeita-com-as-coisas-como-estão-mesmo-que-esteja-tudo-legal-e-achando-que-não-vai-ficar-satisfeita-com-as-coisas-como-ficarão-e-fode-a-porra-toda-mesmo-assim-já-que-afinal-isso-não-faz-sentido-mas-foi-o-que-deu-na-telha-dela". Até me pergunto se ela de fato estava atuando ou apenas reproduzindo o usual.

Moral da história: quando você tiver a possibilidade de fazer um filme, não resista à tentação de desenvolvê-lo numa narrativa semi-autobiográfica cheia de meta-referências. Jogue nele todos seus desejos, depois jogue sobre isso todas as suas frustrações, então chame a Erika Mader e filme tudo. Como justificar tudo isso, aí não sei. Suspension of disbelief, talvez.

terça-feira, 14 de julho de 2009

Ente



Ente Ente Ente Ente Ente Ente Ente Ente Ente Ente...

É, é bem por aí mesmo.

sábado, 11 de julho de 2009

Elliott Smith - "Everything means nothing to me (Live)"


Essa música é muito foda, eu a tenho ouvido sem parar e queria coloca-la aqui.

Parafraseando meus DVDs do Ed Sullivan's, Elliott Smith é um dos meus eternos chart toppers pessoais. Não tinha como ser de outra forma.

Segue a letra abaixo para quem quiser acompanhar.

Someone found the future as a statue in a fountain
At attention, looking backward in a pool of water

Wishes with a blue songbird on his shoulder

Who keeps singing over everything

Everything means nothing to me

Everything means nothing to me

Everything means nothing to me


I picked up the song and found my picture in the paper

The reflection in the water showed an iron man still trying to salute

People from a time when he was everything he's supposed to be

Everything means nothing to me

Everything means nothing to me

Everything means nothing to me

Everything means nothing to me

Everything means nothing to me

Everything means nothing to me

Everything means nothing to me

Everything means nothing to me

Everything means nothing to me

Everything means nothing to me

Everything means nothing to me

Everything means nothing to me

Everything means nothing to me

Everything means nothing to me

Everything means nothing to me

Everything means nothing to me

Everything means nothing to me

Everything means nothing to me

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Morreu



Como diria o caríssimo senhor mario elva, 2009 segue ferozmente ceifando o mundo da música. Dessa vez, foi-se (sem trocadilhos com o instrumento da Dona Morte) o tal do Michael Jackson, que aparece como um garoto espantosamente talentoso em meus DVDs do programa do Ed Sullivan, mas que recentemente (ou melhor, nas últimas décadas) só se destacava por sua bizarrice aguda. Aparentemente, foi uma parada cárdio-respiratória.

Hoje de manhã eu já tinha recebido a notícia da morte da Farrah Fawcett, vítima do câncer contra o qual lutava há 3 anos. Farrah ficou famosa fazendo uma das anjos do seriado Charlie's Angels, então fico mais tranquilo sabendo que ela já estava encaminhada para o paraíso desde 1976. Engraçado que, pouco antes de chegar ao trabalho hoje cedo, vendo uma mulher com cabelos escovados mas volumosos andando pelo Centro da cidade, me veio imediatamente a imagem da dona Fawcett. Não posso dizer que tenha pensado no Michael Jackson em qualquer hora do dia anterior ao Jornal Nacional, mas morte nunca é uma coisa bacana, então também lamento. Me resumirei a fazer piadinhas de humor duvidoso quando me der na telha, só isso.

Então, 2009, não tenho como impedi-lo de seguir devastando o cenário musical. Eu, mais uma vez parafraseando o BLOG-IS-DEAD, permaneço esperando que chegue a hora do babaca do Pete Doherty, mas agora penso que essa espera pode ser em vão. 2009 anda matando a galera da música, e se tem uma coisa que o tal Doherty nunca fez foi música. Vou torcer então, pelo menos, para que o Michael Jackson venha puxar o pé dele à noite.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Enfim



Tudo começou quando eu disse que nem crise econômica mundial nem surto de gripe suína colocariam esse mundo nos eixos. Só mesmo se descesse um imenso disco voador no centro de Nova Iorque e de dentro dele saísse a Virgem Maria, gigante, montada em um gigante tigre siberiano, anunciando que tudo sempre foi uma grande mentira, nada menos. Só isso mesmo para fazer com que o planeta e os estúpidos humanos que o habitam parassem de correr atrás de territórios, dinheiro e poder para prestar atenção no que alguém tinha a dizer.

Isso aconteceu no dia 26 de agosto de 2018, precisamente às 10:16 da manhã (horário de Brasília), quando todas as esperanças já pareciam perdidas. Demorou pouco para que Maria saísse da nave após seu pouso suave no Central Park, tanto que pouquíssimas câmeras estavam no local no momento de sua revelação, embora suficientes para que a cena histórica fosse transmitida para todos os continentes quase em tempo real. E lá estava ela, imensa, potente, com a mesma imagem que estávamos acostumados a ver e reconhecer com sendo Nossa Senhora, sorrindo como quem ganha uma fortuna por mês sem ter que trabalhar. O tigre em que montava era impecavelmente branco, com olhos de laser azul, não fazia qualquer gesto brusco.

Maria disse, em um português claríssimo para carioca nenhum botar defeito, que era chegada a hora do fim do que estava errado e do começo de como deveria ter sido desde sempre. Ela olhou ao redor, numa virada de cabeça que demorou 57 segundos de um extremo ao outro, e disse serenamente:

- Meus filhos... Vocês fizeram a porra toda errada nessa merda. Eu tive que vir antes que vocês mandassem tudo pro caralho. Esqueçam igreja católica, protestantismo, budismo, espiritismo, islamismo... Religião é o cacete. Neguinho inventou um monte de idéia doida lá atrás, a parada foi reescrita mil vezes, a história original que a gente inventou nem era essa...

Ela prosseguiu falando que, na verdade, eles eram um grupo de alienígenas que chegou aqui na Terra na época em que só havia lagartos gigantes. Não gostaram do que viram e mataram tudo, colocando no lugar uns bichinhos mais agradáveis e peludos que nós classificaríamos milênios depois como os primeiros mamíferos. Eles queriam aproveitar o planeta como um tipo de manicômio ou asilo, onde os indivíduos de sua sociedade (avançadíssima) que nascessem com retardo mental e/ou deficiências físicas seriam deixados à própria sorte, poupando as pessoas saudáveis de seu planeta natal da convivência com tais seres. Com o passar do tempo, contudo, os indivíduos desfavorecidos deixados na Terra mostraram-se capazes de gerar uma prole mais saudável, e tal constatação fez com que os governantes de Javé (esse era o nome do planeta natal de Maria) resolvessem que era uma boa colonizar o planeta com indivíduos mais empreendedores, que contudo foram privados da maioria dos avanços tecnológicos de sua raça, só pra que a parada ficasse mais interessante para quem estava assistindo.

Em resumo, ela falou, falou, falou, contou a história que queríamos tanto ouvir e deu certo. O mundo parou. Todos pararam. As bolsas de valores, as empresas, as escolas, os governantes, os governados, todos pararam de correr atrás de algo. Enquanto alguns assistiam a tudo bebendo cerveja quente, outros cometiam suicídio ao perceber que estiveram errados a vida inteira. Outros também se deram conta de que não havia nada depois daqui, mas ao invés de sairem cometendo suicídios, saques e estupros, apenas respiraram bem fundo, sorriram e coçaram a nuca.

Ao terminar sua interessantíssima história, Maria parou, olhou tudo e todos que então se aglomeravam ao seu redor, e disse:

- Vocês devem estar querendo saber sobre Jesus. Bom, fui eu quem trouxe ele aqui sim, e eu era mesmo virgem naquela época. Não, ele não morreu na cruz, não ascendeu aos céus, nada disso. Ele simplesmente sobreviveu, seguiu pra Índia, rodou o mundo todo e cansou, parando finalmente no Brasil, onde achou tudo o que queria na vida. Assim como todos nós habitantes originais de Javé, Jesus tem uma expectativa de vida consideravelmente superior a dos humanos, e encontra-se vivo e muito bem até hoje. Atualmente, ele atende pelo nome de Jô Soares e apresenta um programa de entrevistas transmitido por rádio e TV, entre outras atividades. Se nunca ouviram falar, joguem no Google.

"Isso quase explica muita coisa", pensei.

Já havia silêncio há um tempo quando, às 18hs daquele mesmo dia, o tigre rugiu, Maria sorriu e virou-se, retornando ao interior do imenso disco voador. A plataforma recolheu-se, a porta fechou-se, o disco decolou e nada mais foi dito ou ouvido por cerca de um minuto. Os números nunca mais seriam os mesmos, os índices, as previsões, as especulações, as modas, as paradas de sucesso, os regimes políticos, tudo teve que ser repensado. Recolhidas em seu quartos, celas e escritórios, algumas pessoas choravam, oravam, gargalhavam ou cortavam-se com lâminas de barbear, mas independente do que estivessem fazendo, estavam todas sozinhas (e ao mesmo tempo já nem tanto). Os mortos permaneceram mortos, outros mais morreram aos borbotões nos dias seguintes, e os sobreviventes começaram a fazer o que seus tataravós já deviam ter feito.

Para vocês que leram essa história, ela termina aqui. Sobre o que aconteceu com Jô Soares depois da grande revelação, ninguém saberá. Mas não se preocupem, tudo vai dar certo.
Um dia.

domingo, 10 de maio de 2009

Melhor



"O pior de tudo", pensei, "o pior de tudo é acordar e saber perfeitamente quem eu sou, sempre. Melhor seria acordar numa banheira de gelo sem os rins".
Melhor seria poder passar o dia inteiro sem sequer me olhar no espelho.
Melhor seria nem ter opção, mas o pior é que há, ora vejam só.

Passe-me o cardápio, por favor. Sim, sim, vou querer, vou querer... O prato do dia é um resfriado, não tem jeito. O acompanhamento, opcional, é um sorriso falso. Ok, obrigado.

Pensamentos assim podem nutrir o dia inteiro, o fim de semana inteiro de uma pessoa, mesmo se pensados por apenas dois minutos, desque que pensados nos primeiros dois minutos contados do despertar. Aquele tinha sido um desses, e o futuro encontrava-se taxativamente fadado a não existir mais. Adeus futuro, de agora em diante, há apenas o presente repetindo-se incessantemente, sempre sempre sempre sempre sempre.

No espelho era eu de novo, me enxergando diferente por me achar muito feliz na merda em que estava. Um alívio que só a solidão consegue trazer quando a gente se cansa de desesperar e/ou de desejar. Ah, como é bom não dever nada além de dinheiro... Não dever companhia, não dever obediência, não dever satisfação sexual, não dever passeios, não dever boas notas, não dever atenção, poder ser todo e plenamente vazio num silencioso e vazio fim de semana. Nem para comer me levantarei deste sofá! Decreto. Sem pais, sem namorada(s), sem animal de estimação, sem expediente, sem muito o que arrumar nesta quitinete e o que há para ser arrumado permanecerá desarrumado por tempo indeterminado. Passo as mãos pelo corpo para me certificar de novo de que realmente não retiraram meus rins esta madrugada (sempre tive esse medo de que a realidade se altere do nada ao meu redor e as poucas certezas que eu tenho não valham mais). Se bem que, em minha pobre e humilde opinião de quem fita o teto, poderiam ter levado meus rins, meu fígado e meu coração. Sem problemas.

Não, peraí... o fígado não. Ainda tenho planos para ele.

De resto, tudo o mesmo. "A mesma imagem e semelhança de Deus, oh sim, esse sou eu!", grito, apenas em pensamento (os pensamentos, sempre os pensamentos), pois gritar pra valer cansa e só presta para algo se houver quem presencie. A fome chega e mais uma de minhas juras vai por água abaixo, me levantarei do sofá pra comer.

Na falta de café e pão com queijo, tenho cerveja na geladeira e pizza de supermercado congelada.
Para um café da manhã às 14:39, serve.
"Não serve, Deus?", pergunto.
Deus diz que sim e se retira, mas antes recomenda que eu cheque novamente se não tive meus rins retirados na última madrugada.