terça-feira, 1 de maio de 2007

Cartola

Ontem, véspera do feriado de 1º de maio, saí do trabalho e fui ao cinema. Tinha na cabeça que queria ver ou "Cartola" - por gosto próprio - ou "O Segredo" - porque têm falado muito e fiquei curioso -, e me mandei pro Unibanco Arteplex, um cinema que adoro, tem uma ótima livraria e tem história na minha vida.

Peguei o metrô na Uruguaiana e cheguei em Botafogo lá pelas 19hs, mas além de o Arteplex estar cheio, nenhum dos filmes que eu queria estava em cartaz. Não encontrei ninguém conhecido. Voltei, seguindo para o Botafogo Praia Shopping, mas lá, embora mais tranqüilo, também não estavam em cartaz minhas opções cinematográficas. Também lá não encontrei ninguém conhecido.

Pegando o metrô de novo, desci no Largo do Machado e fui no São Luiz, que estava deserto, mas igualmente não exibia os tais filmes. Outra vez, não encontrei ninguém que eu conhecesse. Voltei ao metrô (estão notando um padrão?) e saltei na Cinelândia, quase desistindo, quando lembrei que ali tem o Palácio e o Odeon. Finalmente, estava passando "Cartola" no Odeon, e fiquei por lá mesmo. A ironia é que eu tinha saído do Centro, onde trabalho, ido para Botafogo, depois pro Largo do Machado, pra finalmente encontrar o filme que eu queria assistir... no Centro!!! Ok, pode me chamar do que quiser...

"Cartola" cumpre principalmente o papel de ser um documentário sobre a vida boêmia do Rio de Janeiro, da Lapa, do Centro da cidade dos anos 40, 50, 60 e 70. Mostra um homem capaz de criar belas canções de letras sinceras, mas que jamais conseguiu segurar dinheiro, que escapava pelos seus dedos como areia. Sabia que mesmo já velho e famoso ele chegou a trabalhar em garagem e como contínuo de repartição? Coisas da vida. Da vida do Cartola. Muitas entrevistas da época, declarações do próprio, histórias sendo contadas. Só acho que deveriam ter colocado legendas, não entendi um terço do que era dito nas gravações prejudicadas pelo tempo...

Por fim, gostei de ver o registro de um homem que tinha mais coração do que juízo, que perdeu tudo (esse "tudo" é relativo) já velho e foi morar com a esposa na casa do pai. Na minha opinião, o momento mais belo do filme acontece quando ele pergunta ao pai o que quer ouvir, e o pai pede "O Mundo É Um Moinho", a qual é tocada na íntegra, ali, diante dos nossos olhos e para o deleite de nossos ouvidos e de nossos corações. Saí do cinema com a sensação de dever cumprido, de ter atendido à solicitação da minha alma. É verdade que o documentário poderia ter sido bem melhor e mais completo, mas valeu mesmo assim.

E nem no Palácio, nem no Odeon, eu também não encontrei alguém que eu conhecia.

segunda-feira, 30 de abril de 2007

Pessoa

Vou receber uns convidados aqui de vez em quando, e queria começar com o Fernando Pessoa, mais precisamente sob seu heterônimo Alberto Caeiro. De um pequeno livro (L&PM Pocket) retirei o poema que reproduzo abaixo. Em breve eu volto aqui com meus próprios escritos, prometo, mas eu queria muito compartilhar este que, dentre vários poemas do livrinho, me chamou a atenção.

"Se eu pudesse trincar a terra toda
E sentir-lhe o paladar,
Seria mais feliz um momento...
Mas eu nem sempre quero ser feliz.
É preciso ser de vez em quando infeliz
Para se poder ser natural...

Nem tudo é dias de sol,
E a chuva, quando falta muito, pede-se
- Por isso tomo a infelicidade com a felicidade
Naturalmente, como quem não estranha
Que haja montanhas e planícies
E que haja rochedos e erva...

O que é preciso é ser-se natural e calmo
Na felicidade ou na infelicidade,
Sentir como quem olha,
Pensar como quem anda,
E quando se vai morrer, lembrar-se de que o dia morre,
E que o poente é belo e é bela a noite que fica...
Assim é e assim seja..."

domingo, 29 de abril de 2007

...

Nada de "Fim", não por enquanto.
Não por enquanto.

Meio

Esqueci de comentar que não haverá periodicidade. Digo, talvez eu não escreva algo novo semanalmente, nem mensalmente, mas talvez eu escreva três posts novos em um dia, quem sabe...

Começo

Não sei se esse é o melhor momento pra eu iniciar um blog, mas qual seria esse momento então? Pensei em várias opções de nome, infelizmente estavam indisponíveis, então acabei chegando em "depois do verbo". Não me pergunte "como assim 'depois do verbo'?", pois eu não sei explicar. Agora chegou a minha vez de fazer as coisas sem saber explicar as razões. Então é o seguinte: "depois do verbo" significará seja lá o que você concluir após refletir sobre o assunto, ou então fique com sua primeira impressão mesmo. Não me importo de verdade com isso, sabe? Do fundo do coração. Aliás, me dá a esperança de que ao menos esta questão venha a ter resposta, ou várias (e todas verdadeiras).

Novo blog, novo começo, nova tentativa talvez. Você poderia visitar este blog outras vezes no futuro? Obrigado. Tentarei dizer quase tudo que tenho a dizer antes de enlouquecer por completo, coisa que espero estar longe de acontecer...

Certo?